sexta-feira, 31 de maio de 2024

Chuva de papel – “a vida como ela é”

 


                                           

Por Lucana Bessa

Publicado em 2023 pela Companhia das Letras, Chuva de Papel, é o terceiro romance da escritora recifense Martha Batalha. O primeiro foi A vida invisível de Eurídice Gusmão (2016) e, o segundo, Nunca houve um castelo (2018).

Misturando tons cômicos e trágicos, Chuva de Papel, traz um narrador em terceira pessoa (primeiro momento), que nos apresenta a história de um repórter policial, Joel Nascimento; uma dona de casa, Maria da Glória, e sua amiga Aracy, em um Rio de Janeiro, que viveu tempos áureos, mas que em 2020, apresenta-se completamente diferente, sobretudo quando foi acometido pela pandemia da COVID-19, que deixou miséria e mortos.

O livro encontra-se dividido em duas partes: na primeira (capítulos um ao quinze), o leitor conhece o repórter aposentado e decadente, Joel Nascimento, procurando o melhor local pelos bairros do Rio de Janeiro para praticar suicídio. A vida não faz sentido para esse homem solitário e endurecido pelo tempo. O único contato que tem com suas ex-companheiras (Beatriz e Mathilde) é por telefone, quando elas ligam para cobrá-lo por dinheiro, ou para reclamar da falta de atenção ao seu único filho, Marceu.

Atrelada à solidão de Joel, há o vício em álcool. Nossa personagem é filho de uma família desestruturada, com um pai abusador e vários casamentos fracassados, por isso, Joel saiu cedo de casa. Soma-se a tudo isso, o fato dele estar/sentir-se velho. A vida não foi fácil para Joel.

Jornalista aposentado, sem família e sem perspectiva de futuro, Joel, vê seus planos frustrados ao se jogar de um prédio, cair em cima de uma kombi e acordar no hospital com “a perna quebrada, dezoito pontos na testa e inúmeras escoriações”. Leandro, que durante anos dividiu com Joel o café frio das salas das redações dos jornais, é a única pessoa que lhe estende a mão e leva o amigo para morar de favor “num prédio de pastilhas amarelas e pilotis na Tijuca, no apartamento da tia dele”, Glória. A relação entre os dois é marcada pela ironia, humor, antipatia, troca de farpas, mas é isso que transforma a vida de ambos.

Glória é uma dessas mulheres invisibilizadas pela sociedade. Ao narrar sua vida para construção de um livro que deseja escrever, ficamos ciente de tudo o que ela não foi e não fez. Glória não realizou seus sonhos e ainda se tornou a típica chefe de família que sustentou a filha, Cláudia, com empadão: “Não fui aeromoça. Não fiz faculdade. Não viajei. Ano entrando e saindo, fiz empadão”.

Dessa relação, a princípio forçada entre ambos, começa a se desenvolver uma amizade, que é interrompida por uma queda de Glória, que a leva a morte. A partir desse ponto, inicia-se a segunda parte da obra (capítulos dezesseis ao trinta e quatro, alternando a 1ª e a 3ª pessoa), em pleno contexto de descaso com a saúde pública – COVID-19.

Nesse instante, Joel, que viveu “mais de meio século lidando com as histórias dos outros”, diz para si mesmo: “Vai ser impossível viver estes dias vazios dedicados somente a mim”.  Ele se lembra do caderno que a Glória escrevia dizendo ser o livro que seria em breve publicado. Começa a procurar. Após achá-lo, guarda-o, porque naquele instante ele se sente em sua melhor versão. Ler a história de Glória é para esse repórter arredio a possibilidade de dar à amiga um final feliz, ao menos na ficção que, quem sabe, escreverá. 

            Chuva de Papel (2023) é um romance-crônica com uma linguagem fluída, personagens machucados por acontecimentos individuais e coletivos, eivado de humor e ironia, que nos faz pensar em temas como a solidão, o companheirismo, a velhice, etc.



 

A semana de um bolsonarismo que quer mentir em redes sociais, privatizar as praias brasileiras e deixar de vacinar crianças

 



 De todas as excrescências do bolsonarismo, da extrema-direita brasileira ignorante e maldosa está a aprovação do fim da obrigatoriedade da vacinação infantil.

 A extrema-direita fascista que engloba negacionistas do clima e das vacinações será no futuro responspável (como se fossem responsáveis por alguma coisa) pela ampliação dos casos de pessoas e crianças doentes com a covid-19, por exemplo. Os argumentos dos negacionistas são pobres e não apelam para a ciência, mas para “opiniões” e não em dados e informações de estudos científicos.

Mas a bancada bolsonarista está aí sempre alerta para aprovar em comissões e no plenário leis como a não obrigatoriedade de vacinar crianças até 5 anos, de querer ainda privatizar aa praias brasileiras e espalhar em redes sociais e em pleno ano eleitoral mentiras e calúnias a torto e à direito com o “direito” de não ser criminalizado pela mentira.

Como alerta a deputada federal Jandira Feghali em seu X (antigo Twitter): “Durante a sessão que manteve o veto de Jair Bolsonaro à criminalização de crimes contra o Estado de Direito - entre eles, as fake news - a oposição reacionária cometeu vários delitos. Mentiram durante a sessão inteira com intenção deliberada de causar desinformação e golpear o processo democrático. Tudo muito grave e estarrecedor. Vamos seguir combatendo as fake news e exigindo regulação das redes para frear o extremismo digital”, alertou a parlamentar.

Mas as fake news e seus propagadores não terão vida fácil no Brasil. Recentemente, Alexandre de Moraes ministro do Supremo Tribunal Federal disse: “A desinformação, as notícias fraudulentas… Não é possível que a sociedade e os Poderes constituídos aceitem essa continuidade sem uma regulamentação mínima que garanta: o que não é possível na realidade não é possível no mundo virtual.”

O bolsonarismo tem algumas vitórias e mostra que não para a sua luta pelo retrocesso civilizatório. O que vale é pauta moralista e retirar da lei direitos que a sociedade tanto luta para conquistar. Sob o manto podre das mentiras segue para tentar destruir a democracia.

Mas, vai encontrar e já encontra em vários segmentos da sociedade. Bolsonaro segue sendo ainda mais rejeitado nas futuras eleições municipais. Segue ainda com o Governo Lula acertando na economia. E segue a sociedade lutando contra o arsenal bolsonarista de mentiras e retrocesso civilizatório.

Quer saber mesmo o que são as mentiras do bolsonarismo? Pode ser isso: “As fake news integram um esquema de desinformação generalizada visando, em meio ao caos cognitivo, à dissonância cognitiva coletiva e delirante, gerar o efeito de realidade paralela, sem o qual não avança a extrema direita transnacional.” A frase definitiva é do professor João Castro Rocha.



Querem até as nossas praias agora?

 


A ideia miliciana e corrupta de privatizar praias não pode ser encarada com surpresa pela sociedade brasileira. O bolsonarismo quando se une ao centrão o que podemos aguardar é retirada de direitos do povo brasileiro, venda do patrimônio a preço de banana e coisas do gênero.

A PEC das Praias chamada de PEC 03/2022 que tramita no Senado Federal e está chamando a atenção da sociedade e ambientalistas pela forma como quer privatizar as praias pode permitir a transferência da propriedade de terrenos do litoral brasileiro, atualmente sob o domínio da União, para Estados, municípios e proprietários privados.

Na realidade essa PEC não quer apenas privatizar praias. E assim retirar um espaço de lazer que é gratuito. Você entra na praia sem um tostão no bolso e pode ficar lá, contemplando, nadando, pegando um sol ou ver o pôr do sol ao fim da tarde.

Essa PEC quer transferir patrimônio do Estado para a iniciativa privada, ou seja, para enriquecer alguém ou setores do empresariado nacional e estrangeiro.

Segundo matéria publicada no site da BBC Brasil a iniciativa dessa PEC que tem como relator Flavio Bolsonaro é que favorece a ocupação desordenada, ameaçando os ecossistemas, tornando esses terrenos mais vulneráveis a eventos climáticos extremos, como define Carolina Gabas Stuchi, do Ministério da Gestão e da Inovação dos Serviços Públicos.

Mais ainda, a presidente da Comissão de Meio Ambiente (CMA), senadora Leila Barros (PDT-DF), reconheceu que há problemas na gestão dos terrenos de marinha, mas disse que, na prática, a proposta flexibiliza a legislação ambiental. "A extinção dos terrenos de marinha e a transferência de propriedade podem afetar a função dessas áreas na mitigação das mudanças climáticas", afirmou durante a sessão.

 

Uma nota técnica do Grupo de Trabalho para Uso e Conservação Marinha (GT-Mar), que atua na Frente Parlamentar Ambientalista do Congresso Nacional, apontou que a fiscalização também pode ser fragilizada com a PEC, o que ameaçaria ainda mais a biodiversidade costeira. "Sem a prerrogativa de gestão desse patrimônio, o governo federal terá muito mais dificuldades de implantar políticas socioambientais de enfrentamento às mudanças climáticas", diz a nota.

Já na visão de Ana Ilda Pavão, representante do Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais, a PEC também prejudicará as comunidades tradicionais, que habitam essas áreas há décadas, e os pescadores, que já sofrem com o assoreamento e com o desmatamento.

De uma coisa podemos ter certeza: a PEC das praias não é boa para a sociedade brasileira. No momento em que a crise climática nos leva a tragédias como a vista no Rio Grande do Sul, o bolsonarismo não podia mostrar de forma diferente sua face que é a de entrega do patrimônio público em cima dos interesses coletivos.



sexta-feira, 17 de maio de 2024

Agenda Cultural do Cariri para você se divertir neste final de semana!!!!

AGENDA CULTURAL


AMAR E MUDAR

Nesta sexta-feira 17 de maio temos o evento AMAR E MUDAR AS COISAS no Raul Rock Bar em Juazeiro do Norte. Um momento de homenagem ao cantor e compositor cearense Belchior e ao grande Tim Maia. A música fica com Os Gramophones e começa às 22h.

ÉDIPO REI

Nessa sexta-feira, 17, às 18h30, haverá o Espetáculo Édipo Rei – Uma Saga Nordestina.  Com a soberba e a força que o poder lhe concedia, Édipo, muito bem interpretado por Jean, decide desvendar os mistérios da morte de seu antecessor, Laio. Vítima do destino, Édipo descobre que ele é o assassino do rei que, por sua vez, era seu pai. A verdade macabra vem à tona quando ele já estava no trono, casado com a rainha, sua mãe, e pai de seus irmãos! Jocasta suicida-se e o rei em desespero fura os próprios olhos. Será no Centro Cultural Banco do Nordeste no Cariri, em Juazeiro do Norte.

GAL COSTA E RITA LEE

Gal Costa sempre será nossa musa da música popular brasileira, e Fatinha Gomes e Banda trazem um tributo à altura dessa artista tão completa!! Do movimento tropicália à mpb e passando também pelo rock, Gal sempre foi fatal em suas interpretações viscerais. Já Ranny Ramos e Banda apresentam o show “Baila Comigo”. Uma homenagem a Rita Lee, Rainha do Rock nacional. O espetáculo promete um repertório que percorre toda a carreira da artista, e clássicas como Ovelha Negra, Lança Perfume, Mania de você, Doce Vampiro são algumas das que estão no repertório! Vai ser dia 18 de maio no Cangaço Bar em Juazeiro do Norte.

JÁ PENSOU EM APRENDER COMO FUNCIONA UMA EXPOGRAFIA? 🤔

Nessa sexta-feira e nesse sábado, dias 17 e 18, às 8h, haverá a oficina “Expografia My Fine Art”, no Estúdio DPI, no Crato. Os participantes terão a oportunidade de explorar os conceitos de expografia, seleção e curadoria de obras, planejamento de layout, design de ambientes, implementação de recursos tecnológicos e estratégias de promoção e divulgação – tudo através de teorias e práticas diretas no desenvolvimento e montagem da exposição MY FINE ART que acontecerá na DPI Gallery.
Expografia My Fine Art

Dia 17 e 18, sexta-feira e sábado, às 8h
Local: Estúdio DPI, Crato-CE
Classificação livre

ESCOLA INDÍGENA
Na manhã deste sábado (18) acontece uma visita mediada à Escola Indígena de Tempo Integral Isú-Kariri, a primeira escola indígena do Cariri cearense, localizada em Brejo Santo (CE). A ação é voltada para professoras/es e demais profissionais da educação, da rede básica e superior de ensino. Todo o processo será conduzido pelos indígenas que constroem diariamente a instituição. Temos 45 vagas disponíveis! Quer participar? 🔗 Faça sua inscrição através do formulário no link da bio! Um evento do Centro Cultural do Cariri.

ROCK PARA TODOS

Neste sábado 18 de maio tem rock nacional e internacional no Raul Rock Bar em Juazeiro do Norte. Com Samir Rimmas e Banda e a Banda a Ingreja Invisível. A música começa às 22 horas.

RITCHIE EM JUAZEIRO E IGUATU



O cantor e compositor anglo-brasileiro Ritchie David vem ao Ceará para dois shows comemorativos. O músico se apresenta no dia 31 de maio, em Juazeiro do Norte; e no dia 1º de junho, na cidade de Iguatu com a turnê “A Vida Tem Dessas Coisas”. O show do artista será realizado nas unidades do Sesc de cada localidade. Conhecido por inúmeros sucessos da MPB e pop brasileiro, Ritchie consagrou seu nome na arte com “Menina Veneno”. Lançada no álbum “Vôo do coração”, de 1983, a canção se tornou um hit na década, tendo sido a música mais tocada nas rádios naquele ano.

PAU DA BANDEIRA

O tradicional corte do Pau da Bandeira de Santo Antônio está marcado para acontecer nesta sexta-feira, 17.  O evento, que encabeça os festejos em alusão ao padroeiro do município de Barbalha, será no Sítio São Joaquim. A árvore escolhida para ser cortejada no dia 2 de junho é uma Copaíba de aproximadamente 24 metros e 3 toneladas. A programação do dia terá início na Zona Urbana do município, com um café conjunto realizado pelos carregadores no Mercando Central de Barbalha, às 6h. Em seguida, às 7h, o grupo deve se reunir em frente à Igreja Matriz de Santo Antônio, onde haverá uma benção com o Padre Joaquim Ivo.

FESTIVAL DE QUADRILHAS

A Secretaria de Cultura de Juazeiro do Norte (Secult) abriu as inscrições de grupos juninos para o Festival Municipal de Quadrilhas. O evento será realizado no Parque de Eventos Padre Cícero nos dias 4 a 7 de julho, dentro da programação do JuaForró 2024. As inscrições seguem até o esta sexta-feira dia 17 de maio. Para se inscrever, o grupo deverá preencher o formulário disponibilizado no site da Prefeitura de Juazeiro do Norte. O festival acontecerá simultaneamente à programação do Nordestão de Quadrilhas, ambos no Parque Padre Cícero.

MÚSICA ELETRÔNICA

De 24 a 26 de maio, o Largo da RFFSA, em Crato, recebe o festival de música eletrônica Tardinha. O evento, promovido pelo movimento Tardinha em parceria com o Coletivo Caldeirão, contará com apresentações de mais de 15 DJs das categorias house, techno, trance e brasilidades. Na programação, já estão confirmados DJs conhecidos na cena da música eletrônica do Cariri, como Perdxy, D.ANT, GVARÁ, Allieninja, Leticia Holu e Cabeça Cabaça, entre outros.

SEMANA NACIONAL

Coordenada anualmente pelo Ibram, a Semana Nacional de Museus é uma das ações da Política Nacional de Museus desse Instituto. O evento une instituições museológicas de todo o país para realizar, durante uma semana, atividades para todos os públicos. A iniciativa, que comemora o Dia Internacional dos Museus (18 de maio), criado em 1977 pelo Conselho Internacional de Museus – ICOM, visa aumentar o potencial de visitação das instituições museológicas e culturais brasileiras. O propósito é difundir as diversas manifestações e referências culturais, promover o acesso à produção simbólica e à diversidade cultural e criar experiências significativas para os visitantes a partir de um esforço de convergência das programações dos museus em torno de um mesmo tema.

FEIRA LITERÁRIA

Com objetivo de fomentar o acesso ao livro, à leitura e à literatura, além de estimular a formação de leitores de todas as idades, a Feira Literária do Ceará chega ao município de Icó, entre os dias 16 e 18 de maio. A programação conta com apresentações artísticas e culturais da região, debates com autores, lançamento de livros e contação de histórias. O evento é gratuito e acessível em libras.

KILLER QUEEN

Tá chegando o super showzasso da Banda Killer Queen (Fortaleza-CE). Um tributo incomparável a Frede Mercury e Queen. Figurinos e performances à altura, que deixam o público extasiado! Já marca na agenda: Será dia 25 de maio, no Cangaço Bar.

RODAS DE CONVERSA

Nos dias 19 e 26 de maio a partir das 18h, artistas e grupos farão apresentações experimentais seguidas de rodas de conversa sobre os processos realizados para a elaboração das cenas e diálogos, levando a uma troca de experiências com o público e com os artistas participantes.  Vale lembrar que os ingressos para os espetáculos são disponibilizados 30 minutos antes da programação. Fique atento à classificação indicativa. Vai acontecer no Centro Cultural do Cariri na cidade do Crato.

REISADO SÃO FRANCISCO
O Reisado São Francisco, liderado pelo mestre Dodô, é um grupo tradicional de reisado de congo do Cariri cearense. Com mais de 70 anos de experiência, mestre Dodô carrega a tradição no sangue, sendo discípulo de seu tio e padrinho, o mestre José Matias. Vai se apresentar no Festival Ucariri nesta sexta-feira dia 17 a partir das 19h30min.


sexta-feira, 10 de maio de 2024

8º Encontro Nacional de Comunicadores e Ativistas Digitais vai ser em São Paulo em julho



 VEM AÍ | 8º Encontro Nacional de Comunicadores e Ativistas Digitais chega a sua oitava edição num momento essencial para o debate sobre a necessidade de regulamentação das plataformas digitais.


**A programação inclui temas como a democratização da comunicação, internet, inteligência artificial, mídia periférica, negra e alternativa, e muito mais.

■ Salve as datas: dias 5 e 6 de julho, no auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo.

** Quem realizar a inscrição até o dia 15 de maio terá um desconto de 30%. Garanta já a sua vaga! Outras informações no link na bio!

#BarãoDeItararé #BlogProg #Comunicadores #Ativistas #Digital #Bigtech #Internet #regulamentação #plataformas #algoritimo #redessociais

sexta-feira, 26 de abril de 2024

Leia, divulgue e assine o jornal Leia Sempre Brasil desta sexta-feira 26 de abril com muitas informações!!!!


Nesta edição do jornal Leia Sempre Brasil trazemos para nossos leitores e leitoras notícias variadas, a coluna Panorama Político, a coluna Nordestinados a Ler da escritora Luciana Bessa, dicas de leituras, notícias da política do Cariri e do Ceará, matérias sobre cinema, cultura,  economia e  outras infromações. 

Quer receber o jornal em PDF? Peça pelo zap: (88)98803.0306

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As lições do filme Guerra Civil: é hora de tolerância, diálogo e democracia para as coisas não desandarem

 



O filme Guerra Civil é curto e grosso e não enrola. Estamos diante de uma ampla guerra civil nos Estados Unidos, um país que fica dividido com um presidente que deu golpe e estados como Califórnia e Texas se uniram contra o golpismo presidencial. Um país devastado pela intolerância.

Mas o filme não nos revela os bastidores, o golpe, a resistência, como ficam os outros estados e os grupos políticos. O filme foca na ação de um grupo de jornalistas que cobre esse trágico momento americano.

Feito em um momento em que o extremismo de direita nos Estados Unidos e no mundo cresce com líderes fundamentalistas e extremistas como Donald Trump, Bolsonaro e Javier Milei, nada é inverossímil, e nos leva a uma questão: precisamos ter muito cuidado com o que fazemos na política e com o tipo de consentimento de damos para extremistas. E isso é perigoso. E isso leva, por exemplo, a maior economia do mundo ao colapso e nos mostra que temos que ter cuidado.

E sabemos que uma coisa: o fascismo é a pior coisa do mundo e precisamos nos posicionar sobre isso. O filme Guerra Civil lida com essas e outras questões e mostra uma guerra dentro dos Estados Unidos, revelando um pais devastado após um golpe dado  por um presidente extremista.

O sonho americano foi para o espaço. As pessoas convivem com isso de variadas formas. Há os que gostam, os que se envolvem, aqueles que fingem não querer saber de nada e os que simplesmente jogam todo seu rancor e ódio contra o outro e ainda aqueles que escolhem amigos e inimigos dependendo da forma como o outro pensa.

O filme Guerra Civil não se assume como um filme de guerra, mas pode ser o road movie com um drama e com um diretor que não explica muita coisa. Você foca a ação no trajeto dos protagonistas de uma cidade para outra até chegar em Washington onde a devastação é total e o exército que tem ordens de assassinar o presidente.

Uma película que nos lembra que a tolerância, a democracia, o diálogo, o respeito às instituições e a luta contra o fascismo e toda forma de extremismo e fundamentalismo deve ser um luminar na sociedade atual.

O filme nos revela as boas atuações de Wagner Moura e Kirsten Dunst, além da jovem Cailee Spaeny e do veterano Stephen Henderson. A direção de Alex Garlan nos deixa um filme primoroso, bom para assistir, se divertir e acima de tudo refletir sobre o momento atual. E isso, muitas vezes o cinema faz com maestria.



Cabelos brancos. Por Frei Betto

 

Participei em Belo Horizonte, no início de abril, do 12º encontro nacional do Movimento Fé e Política. Quase duas mil pessoas. Ao contrário dos encontros anteriores à pandemia, poucos jovens. A maioria de cabelos brancos ou tingidos.

Minha geração envelhece. Chego este ano aos 80. Nossas ideias, propostas e utopias, também envelhecem?

É muito preocupante constatar que as forças progressistas não logram renovar seus quadros. Para vice de Boulos, na disputa pela prefeitura de São Paulo, em outubro próximo, o PT precisou importar uma mulher filiada a outro partido: Marta Suplicy, que fará 80 anos em março de 2025.

No Rio, o PT parece não ter quem indicar para possível vice na chapa do prefeito Eduardo Paes, candidato à reeleição. Tende a importar Anielle Franco, do PSOL.

Tenho proferido conferências pelo Brasil afora e assessorado movimentos populares. Os cabelos brancos predominam na plateia. As poucas manifestações públicas convocadas pela esquerda reúnem número inexpressivo de pessoas e, em geral, a turma dos cabelos brancos.

Nós, da esquerda, estamos acuados. Como diz a canção de Belchior, “minha dor é perceber / que apesar de termos feito / tudo, tudo, tudo, tudo que fizemos / ainda somos os mesmos e vivemos (…) como os nossos pais”. “Nossos ídolos ainda são os mesmos”. E não vemos que “o novo sempre vem”.

A queda do Muro de Berlim abalou as nossas esperanças em um mundo onde todos teriam a sua existência dignamente assegurada. E o capitalismo, gato de sete fôlegos, inovou-se pelos avanços da ciência e da tecnologia e, sobretudo, do neoliberalismo.

Primeiro, a privatização do patrimônio público; em seguida, das instituições sociais, reduzidas a duas por Margaret Tchatcher: o Estado e a família. E, por fim, o cidadão foi despido de seu manto aristotélico e condenado a ser mero consumista, inclusive de si mesmo ao passar horas a se mirar no espelho narcísico das redes digitais.

Há uma progressiva despolitização da sociedade. A direita é como uma maré que sobe e ameaça afogar o que nos resta de democracia liberal. Basta dizer que um dos três programas de maior audiência da TV Globo e, portanto, de faturamento, é o BBB, que bem espelha os tempos em que vivemos: ali são explícitas as regras do sistema capitalista. O único objetivo é competir. Todos sabem que, ao final, apenas uma pessoa haverá de amealhar o pote de ouro. E a missão dos concorrentes é cada um fazer tudo para que seus pares sejam eliminados. É o que milhões de adolescentes aprendem ao perder horas assistindo àquele simulacro de “O anjo exterminador”, de Buñuel.

Na esquerda “ainda somos os mesmos”. Não semeamos a safra de novos militantes com medo de que eles se destacassem e ocupassem as nossas instâncias de poder. Abandonamos as favelas, as zonas rurais de pobreza, os movimentos de bairros. E não aprendemos a atuar nas trincheiras digitais, monopolizadas pela direita como armas virtuais da ascensão neofascista.

Não sabemos como reagir diante do fundamentalismo religioso que mobiliza multidões, abastece urnas, elege inclusive bandidos notórios. Fundamentalismo que apaga as desigualdades sociais e as contradições de classe e ressalta que tudo se reduz à disputa entre Deus e o diabo. Todo sofrimento decorre do pecado. Eliminado o pecado, irrompe a prosperidade, que empodera e favorece o domínio: a confessionalização das instituições públicas; a deslaicização do Estado; a neocristandade que condena à fogueira da difamação e do cancelamento todos que não abraçam “a moral e os bons costumes” dos que clamam contra o aborto e homenageiam torturadores e milicianos assassinos.

Precisamos fazer autocrítica, rever nossas ideias, ter a coragem de abrir espaços às novas gerações e reinventar o futuro. Nossos cabelos brancos denunciam o inverno que nos acomete. É hora de uma nova e florida primavera!

Frei Betto é escritor, autor de “Diário de Fernando – nos cárceres da ditadura militar brasileira” (Rocco), entre outros livros.

 



Filme Coronel Delmiro Gouveia nos revela a vida do cearense que fez história e foi pioneiro na industrialização do Brasil

 


Baseado em história real, o filme Coronel Delmiro Gouveia conta a saga de Delmiro Gouveia, pioneiro da industrialização do Brasil, que foi perseguido e assassinado por se recusar a vender suas empresas a companhias inglesas no fim do século XIX e início do XX.  

O filme é de 1977 com direção de Geraldo Sarno. O personagem, interpretado pelo ator Rubens de Falco, é mostrado como um ousado e humanista empreendedor que enfrenta o poder dos coronéis e dos trustes internacionais.

Nascido em Ipu (Ceará) filho da pernambucana Leonila Flora da Cruz Gouveia com o cearense Delmiro Porfírio de Farias. Sua família transferiu-se em 1868 para o estado de Pernambuco e mudou-se para o Recife em 1872.

Com a morte de sua mãe teve que começar a trabalhar aos 15 anos de idade, em 1878, inicialmente como cobrador da Brazilian Street Railways Company no trem urbano, denominado maxambomba. Posteriormente chegou a Chefe da Estação de Caxangá, no Recife. Foi despachante em armazém de algodão.

Em 1883 foi ao interior de Pernambuco, interessado no comércio de peles de cabras e de ovelhas, que passou a negociar, tendo obtido grande sucesso. Em 1886 estabeleceu-se no ramo de couros e passou a trabalhar, por comissão, para o imigrante sueco Herman Theodor Lundgren (Casas Pernambucanas) e para outras empresas especializadas nesse comércio, como a Levy & Cia. Trabalhava também por conta própria. Em 1896 fundou a empresa Delmiro Gouveia & Cia e passou a alijar seus concorrentes do mercado, empregando os melhores funcionários das empresas concorrentes.

Construiu a segunda hidrelétrica do Brasil, uma usina com potência de 1 500 HP, na queda de Angiquinho, uma cachoeira em Paulo Afonso. "Ele exportava peles de bode para a moda de Nova Iorque um século antes de se ouvir falar por aqui no tal do mundo 'fashion'",  diz um artigo. Em 1899 inaugurou em Recife o primeiro shopping center do Brasil, o Derby, um centro comercial e de lazer com mercado, hotel, cassino, velódromo, parque de diversões e loteamento residencial. Em 1914 fundou a Companhia Agro Fabril Mercantil, a primeira na América do Sul a fabricar linhas para costura e fios para malharia. Após seu assassinato - até hoje não bem esclarecido - o maquinário original da Companhia Agro Fabril Mercantil foi atirado em um penhasco do rio São Francisco pelo grupo escocês Machine Cotton que comprou a empresa de seus sucessores, para destruí-la, livrando-se assim da sua concorrência no ramo.

 

CRONOLOGIA DE DELMIRO

·         1863 – Nasce Delmiro, no Distrito de Santo Izidro, Ipu.

·         1868 – Transferência para Pernambuco

·         1883 – Compra e exportação de peles

·         1886 – Ramo de couros

·         1896 – Casa Delmiro Gouveia e Cia

·         1898 – Construção do mercado modelo no Derby (Recife)

·         1903 – Escolhe a vila da Pedra (280 km de Maceió, capital de Alagoas), atual Delmiro Gouveia.

·         1910 – Aproveitamento da cachoeira de Paulo Afonso

·         1912 – Cia Agro Fabril Mercantil e construção da Vila Operária Padrão

·         1913 – Energia hidrelétrica da queda de Angiquinho, Cachoeira em Paulo Afonso.

·         1914 – Fabrica Estrela de linhas para costura

·         1917 – Morre assassinado aos 54 anos.



Circuito interativo com quebra-cabeça e ‘caça ao lixo’ apresenta ciclo do saneamento no Cariri Shopping

 Atividade, realizada pela Ambiental Ceará, mostra como o cuidado com o esgoto contribui para a qualidade e preservação da água Do instante ...